Fotos feitas por alunos se transformam e exposição


Estudantes da Escola Municipal Dona Sabina Lazarin Prati foram a campo e registram suas impressões da cidade e da natureza através de imagens fotográficas

“Há quanto tempo você não revela uma foto?”, com essa indagação a professora de Artes da Escola Municipal Dona Sabina Lazarin Prati, Solange dos Santos, desafiou os alunos do 7º ao 9º ano a saírem às ruas e registrar os aspectos urbanísticos e naturais de Campo Verde e também a contar as próprias histórias através de retratos dos seus antepassados.

O resultado surpreendeu a professora. Com telefones celulares ou câmeras fotográficas, os estudantes foram às ruas, visitaram praças, áreas de lazer e registram em imagens – algumas delas muito poéticas – que depois foram impressas e se transformaram em uma pequena exposição no pátio da própria escola.

“A disciplina Artes tem várias linguagens e nesse bimestre eu resolvi trabalhar fotografia, porque a fotografia está muito presente hoje na vida, principalmente dos adolescentes”, explicou a professora. “Com as mídias, as redes sociais, eles tiram muitas fotografias, mas essas fotografias acabam se perdendo”, completou.

Na visão da professora, a foto que antes materializava um fato, congelava um acontecimento, perpetuava uma imagem preservando-a para o futuro, hoje ficou volátil e vulnerável, sujeita à fragilidade de um sistema operacional. A magia de se folhear um álbum perdeu espaço para a frieza da visualização em uma tela de computar ou de celular. “É uma coisa descartável”, observa a educadora.

O trabalho permitiu aos alunos relembrar a história familiar através de um resgate de fotografias antigas, fazendo um paralelo entre como era quando se revelavam as fotos e como é agora, com as mídias digitais. “Cada um tem a sua história. Aí eu perguntei pra eles: ‘vocês estão registrando a história de vocês’? isso com o nono ano”, explicou.

Com o sétimo ano a professora trabalhou o meio onde os alunos vivem, os aspectos urbanísticos e paisagísticos de Campo Verde, fazendo com que eles observassem mais o ambiente ao seu redor. “Eu falei: vocês já registram os lugares bonitos que você vão passear na cidade de vocês? Vocês param e observam os lugares que vocês estão, como a cidade de vocês é limpa, bonita, bem cuidada? A resposta foi não. Porque o adolescente hoje em dia eles são muito rápidos, eles não param não observam, não olham. E com a fotografia não, eles têm que parar, olhar”, observou.

A natureza foi outro tema explorado pelos alunos. “Hoje em dia os adolescentes não têm o costume de admirar a natureza, olhar o quanto ela é bela. Então eu fiz eles pararem. Para, olha pra natureza, olha pra água, olha a cachoeira. Aqui em Mato Grosso tem tanto lugar belo e vocês às vezes não param pra ver. Então vamos tirar foto da natureza, na fazenda, no sítio, onde vocês estão. E principalmente a natureza de Campo Verde”, disse.

A iniciativa da professora Solange dos Santos, além de despertar nos alunos o senso de observação e de valorização familiar e histórico através da fotografia, fez com que eles reeditassem a antiga prática de congelar a imagem no papel. Só faltou a luz vermelha dos antigos laboratórios de revelação.

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